terça-feira, 3 de agosto de 2010

Veja a entrevista de Daniel Solon, candidato a deputado federal pelo PSTU-PI, ao portalaz.com.br
Por: Anselmo Moura

Fechar o Senado e exclusão dos políticos acusados de corrupção da vida pública. Essas são as principais propostas de campanha do professor universitário, Daniel Solon, candidato a deputado federal, pelo PSTU. Ex-repórter dos jornais O Dia, Meio Norte e Diário do Povo, o jornalista trocou as redações pela sala de aula ao se dedicar exclusivamente a carreira de professor do curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí. Daniel Solon é uma das lideranças do PSTU no Estado do Piauí. "O Congresso Nacional é um balcão de negócios. É preciso a criação de mecanismos para que os mandatos sejam revogados em caso de corrupção", enfatiza.

Daniel Solon é professor de Jornalismo da Universidade stadual do Piauí(UESPI), mestre em História do Brasil e servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Foi presidente da Associação dos Docentes da UESPI (ADCESP) – gestão 2007/2009, e Diretor de Imprensa da entidade (gestão 2005/2007). É diretor regional eleito do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (ANDES SN - gestão 2010/2012) e Conselheiro Universitário (representante docente) na UESPI. Foi dirigente e fundador da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) no Piauí. Participou da construção da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), criada em junho, em Santos-SP.

Veja a entrevista:


Porque o senhor está pleiteando uma vaga na Câmara Federal?
Política na minha vida sempre foi uma questão prática. Quando eu estudava em Sobral no Ceará já tinha uma inclinação para participar de grêmios, de organização estudantil, nós tínhamos jornalzinhos, participava de movimentos na escola, e inclusive do movimento Collor, eu apoiava o Lula mesmo na época em que nem votava e desde sempre eu sempre tive essa inclinação na vida política. Na época de universidade eu lembro que participei do movimento bandejão que iria aumentar para R$ 1,00 e lutamos contra o aumento e até hoje permanece o valor de R$ 0,80 centavos. Quando sai da universidade como jornalista participei de assessorias sindicais, e minha vida toda de certa forma esteve ligada a questões sociais. Em 1997 eu comecei a ser ligado com o PT, mas sai para ir para o PSTU, um grupo de militantes do PT que decepcionados com governo do PT por um ano decidiu ir para o PSTU.

Como candidato quais os principais problemas que hoje o senhor acha que o Piauí enfrenta?

A gente vê problemas graves como o desemprego, a questão da saúde e a questão da educação. São problemas que a gente vê no dia a dia. E o PSTU como se apresenta nesta campanha eleitoral, ele apresenta propostas bastante claras para a população para que resolva estes problemas. Por exemplo, o desemprego, hoje está tramitando no Congresso Nacional as propostas redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas semanais. Essa redução de jornada já melhoraria um pouco a questão da geração de emprego, mas não seria o suficiente na situação em que hoje a gente vive. Nós defendemos, por exemplo, para que a jornada seja de 36 horas semanais e sem redução do salário. Com essa medida simples da redução de jornada de trabalha que já aconteceu em outros países da Europa. Porque que o Lula ainda não conseguiu aprovar isso durante seus oito anos de mandato? Porque a base do governo ele age para beneficiar os grandes empresários. E os empresários não estão interessados em baixar a jornada de trabalho nem para 40 muito menos para 36 horas.

Outra questão para acabar com o desemprego é a questão da reforma agrária. Se você faz reforma agrária no país e aqui no Piauí, você possibilita que milhares de famílias que estão ai sendo expulsas do campo e que vem inchar a cidade e sofrer com outros problemas graves, como a questão da habitação do saneamento, o acesso a educação, a saúde, daí se você garante reforma agrária e não só terra, mas crédito, apoio e assistência técnica para quem vai trabalhar no campo, você também já geraria muitos trabalhos para o povo do campo.

E outra questão que defendemos para combater o desemprego tem haver com os setores de obras públicas direcionado principalmente para a educação e a saúde. Se você constrói hospitais, escolas em todo o Estado e em todo o país, claro que isso vai gerar trabalho, emprego e benefícios, claro, não só para quem está trabalhando, mas para quem vai receber frequentar a escola os hospitais, as estradas, as habitações. Hoje nós temos um déficit habitacional enorme aqui no Piauí, são cerca de 150 mil famílias que sofrem com essa questão habitacional.

Se você me perguntar Daniel com que dinheiro nós vamos fazer estas reformas públicas? Ai é um ponto que é interessante bater, por exemplo, os dados de 2009 o governo Lula pagou R$ 380 bilhões de juros internos e externos. É uma dívida altamente questionável, a gente acha que nem existe mais essa dívida, já foi paga há muito tempo. Inclusive a própria igreja católica há anos juntamente com os movimentos sociais, e nós do PSTU, participamos daquele plebiscito sobre a dívida e a ampla maioria da população queria que fosse parado o pagamento da dívida. Então parando de pagar a dívida estes recursos poderiam ser aplicados justamente nos setores que eu falei; geração de emprego, saúde e educação.

O que o governo Lula aplicou em juros e encargos da dívida, representa cinco vezes o que ele investiu no ano passado em saúde e educação. O Lula disse que rompeu com o FMI, ele lançou essa idéia, e muita gente embarcou nessa ideia, mas na verdade o que aconteceu (...), a divida externa ela foi nacionalizada e se tornou uma dívida interna, só que essa divida interna que acaba com essa dívida externa acaba porque a dívida vai parar no capital financeiro nacional, que não é propriamente dito, porque ele também é ligado ao capital internacional. Então na verdade até piorou a relação da dívida, porque as partes altíssimas de juros que a gente vive no país, a gente paga juros altíssimos para os credores, banqueiros nacionais. Enquanto as grandes empresas conseguem empréstimos do BNDES a oito e meio por cento por ano, o trabalhador se cair no cheque especial chega a 200% ao ano. Então nós estamos nessa ciranda financeira criada pelo próprio governo, que está levando a gente a uma crise que dentro em breve, pela alta questão do endividamento financeiro. Essa crise ai na Europa e que o governo brasileiro conseguiu disfarçar um pouco, ela ta chegando com toda força no próximo ano e ai nós vamos ver de fato a conseqüência dessa crise que está acontecendo na Europa, na França, na Espanha, na Grécia, que a gente precisa de imediato tomar medidas para que a gente, nós trabalhadores não falimos na crise.


A pouco tempo foi divulgado uma pesquisa do IDEB no Piauí, como professor qual a solução para essa questão da educação no Piauí?

O IDEB mostra justamente o fracasso do modelo da política educacional dos governos. Tanto o Lula como o Wellington disseram que priorizaram a educação. Priorizaram a educação privada. Porque destinaram milhões e milhões para escolas particulares, faculdades particulares, mas as universidades e escolas públicas continuam sendo abandonadas. Um exemplo disso é a Universidade Estadual do Piauí, UESPI. A gente que vive lá, estudantes e professores sabemos das dificuldades que passamos, com a falta de investimento na universidade.

Hoje por exemplo, os bolsistas da universidade estão há quatro meses com as bolsas atrasadas na UESPI. Os novos servidores temporários que foram contratados recentemente estão a dois meses de salários atrasados. Professores que estavam fazendo doutorados em outras instituições, por exemplo, na Universidade Federal de Pernambuco, tiveram as matrículas canceladas por falta de pagamento. Imagine só eu professor me qualificando, passando num doutorado e no meio da pesquisa ele é avisado, que infelizmente ele não pode mais fazer seu doutorado porque o Estado não pagou a contrapartida que é para você fazer o seu doutorado. Então isso é um reflexo imediato da questão do descaso em educação.

Lembrando que esse programa do governo Prouni, não resolve em nada o problema do acesso a universidade, na verdade ele desvia o dinheiro que seria público para a criação das universidades públicas e privilegia os ricos empresários da educação. O número de pessoas querendo entrar na universidade continuam sendo muito altos, por exemplo, no Brasil ele é apenas 13% dos jovens brasileiros tem acesso a universidade. Se a gente conseguisse colocar 10% do PIB para a educação, resolveria toda a questão do problema do acesso a universidade permanente. Hoje um problema grave para o estudante é a permanência. Ele entra na universidade, mas só que ele entra sem dinheiro, não tem dinheiro para Xerox, por que a universidade também não tem biblioteca, ele não tem o dinheiro do transporte, da alimentação, na UESPI, por exemplo, não tem um restaurante universitário.

A gente defende que o universitário tenha não só o acesso, mas como também a sua permanência. Que os alunos tenham bolsas, residência universitária porque isso vai acabar refletindo na própria qualidade do ensino geral.

Hoje se você for no interior do Piauí conhecer os campis da UESPI tem lugar que 99% dos professores são substitutos, ou seja, com dois anos ele tem que sair do contrato, não tem nenhum vinculo, não tem como desenvolver uma pesquisa de extensão, sofrem com baixos salários também. Então para resolver essa questão do IDEB tem que ver toda esta questão, o ensino básico, o ensino superior e também na própria questão do financiamento geral da educação.

Como o senhor avalia essa questão dos financiamentos das campanhas eleitorais?

Nós defendemos um regime diferente no caráter de democracia, sabemos que essa democracia que é colocada ai de dois em dois anos não é suficiente, é um jogo antidemocrático que onde quem tem dinheiro é quem é geralmente é eleito. Na própria esfera política temos que fazer mudanças radicais, Uma das questões é esse financiamento, não dá para continuar com esse financiamento garantindo campanha das grandes empresas e empresários, tem que ser um financiamento público das campanhas, e os trabalhadores. A campanha que o PSTU faz hoje de arrecadação financeira, é exatamente de não aceitar nenhuma doação de empresas. Isso nos dar uma independência frente aos poderes econômicos que está ai e dentro dos governos a gente ter essa independência também.

Defendemos nesse regime que está posto ai de imediato, a extinção do Senado. O Congresso Nacional hoje já é por sua própria composição, grande parte é de empresários, lobista, de pastores, então acaba sendo um balcão de negócios. De imediato propomos acabar com o Senado, ter uma Câmara única e que estes mandatos sejam revogados. Por exemplo, se um deputado for eleito, durante sua gestão se ele pisar na bola ele não vai ter que cumprir estes quatro anos de mandatos. Nós temos que criar mecanismo de revogabilidade desses deputados.

O mandato para o PSTU não é o mandato do Daniel Solon é o mandato do PSTU junto com os trabalhadores e se por ventura eu for eleito e não seguir o programa que eu estou propondo e que o PSTU propõe, já tem um mecanismo próprio de controle do partido. No momento em que eu assinei a requisição para ser candidato, eu assinei também um termo junto ao PSTU que o mandato é do partido. E se eu não seguir a defesa da classe trabalhadora eu automaticamente perco meu mandato.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Candidatos do PSTU fazem panfletagem na Agência Central dos Correios e no IFPI







Na tarde desta segunda-feira (02), militantes do PSTU no Piauí realizaram panfletagem às 17h, na saída dos trabalhadores da Agência Central dos Correios, divulgando as candidaturas do partido no Estado. Em seguida, a panfletagem foi realizada na entrada do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI, ex-Cefet). Geraldo Carvalho, candidato a governador (n° 16), Gervásio Santos, candidato ao senado (n° 160), Daniel Solon, candidato a deputado federal (1616) e Solimar Silva, candidata a deputada estadual (16567), participaram da atividade.


Na Agência Central, os candidatos conversaram com os/as trabalhadores/as sobre o compromisso do PSTU em fortalecer a luta contra a privatização da empresa, cujo processo está em andamento diante da proposta de transformação dos Correios em uma S.A apresentada pelo governo Lula.

No IFPI, os candidatos tiveram contato com estudantes, técnicos e docentes, no início da noite. Geraldo Carvalho e Daniel Solon, diretores licenciados do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES SN – entidade que representa professores/as do IFPI, UFPI e UESPI) , juntamente com o professor Gervásio Santos, das redes municipal (Teresina) e Estadual de ensino, e a bancária Solimar Silva, apresentaram as candidaturas do partido, cujo programa defende a Educação Pública, melhores condições de trabalho e estudo, além de salários dignos para servidores e professores.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Gervásio, candidato ao senado pelo PSTU/PI, concede entrevista ao programa Jornal do Piauí na TV Cidade Verde, canal 5, e propõe um programa alternativo e classista aos trabalhadores. Veja:
Com valor de um Bolsa Família Lula paga sua água mineral, diz Gervásio
Candidato do Senado criticou parlamentares do Piauí e o uso do Bolsa Família como plano de governo

Defendendo as tradicionais bandeiras do PSTU, o candidato Gervásio Carvalho criticou hoje no Fala Candidato o pagamento prolongado do Bolsa Família por parte do governo federal. Para Geraldo, o programa assistencialista, que antes seria de caráter emergencial, virou plano de governo do PT. O candidato criticou ainda a atuação dos parlamentares piauienses em Brasília.

"São 3 milhões de piauienses, a maioria vive com renda per capita menor que R$ 0,30 ao dia. Os grandes partidos ficam brigando para saber quem é o pai do Bolsa Família. Somos não só contra como queremos acabar com o Bolsa Família. A ação emergencial deve acontecer, mas não pode ser plano de governo permanente. 487 mil famílias vivem com esse benefício, a maioria custa R$ 95, que é o que o Lula gasta em um minuto tomando a água mineral importada dele", declarou.




Gervásio afirmou ainda que pretende propor a revisão dos percentuais do Orçamento da União para saúde e educação e mostrou como isso é possível. Segundo o candidato, a verba para educação poderia ser de 10% a 15% e aumentar para 6% a verba do SUS, priorizando o financiamento dos hospitais.

Para pagar a conta, Gervásio propoe que o governo federal suspenda o pagamento das dívidas internas e externas. "R$ 1,370 milhões da dívida podem ser investidos em outras coisas", afirmou.

Críticas aos parlamentares

O socialista fez ainda críticas ferrenhas aos seus concorrentes. Segundo ele, Mão Santa (PSC), Heráclito Fortes (DEM), Wellington Dias (PT), que ele classificou como "novo rico", e Ciro Nogueira (PP) querem ser eleitos para trabalhar em prol dos que financiam suas campanhas.




"Os candidatos milionários estão aí para se eleger e ganhar salário de R$ 12 mil? Ciro junto com JVC tem 70% de imobiliária. Heráclito tem herança da mulher e Wellington Dias é o novo rico. Esses homens têm interesse de poder atender os interesses dos grandes negócios. Nossas candidatuas são para ir contra esses interesses. Enquanto eles estão aprovando leis que os beneficiam, nós vamos aprovar leis que beneficiam a população. JVC é milionário e não vai subtrair R$ 200 milhões da fortuna para usar na sua campanha. Sílvio Mendes não tem R$ 8 milhões como declarou. O financiamento vem de onde? Vem justamente dos grandes empreeteiros, do agronegócio, dos grandes empresários. Quando eles são eleitos vão pontuar os interesses desses financiadores. Essa é a lógica dessas candidaturas. Nossa lógica é atender quem nos financia: trabalhadores e a juventude. Nosssa campanha será com R$ 20 mil, vinda dos trabalhadores e da juventude", disse.

Partidos de aluguel

Contrapondo as declarações do senador Heráclito Fortes de que defendia o fim dos partidos de aluguel, Gervásio afirmou que o parlamentar deveria defender o fim do seu próprio partido. "O DEM é um partido de aluguel para os grandes empresários. Heráclito, você deveria acabar com o seu partido, que é alocado para o cerrado piauiense", criticou.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Bolsa Família não pode ser programa de governo, diz Geraldo Carvalho Para o candidato, o programa deveria ser emergencial. Ele defende ainda a reforma

O candidato Geraldo Carvalho (PSTU) criticou hoje o fato do Bolsa Família ser colocado como programa de governo. Para ele, o programa assistencialista deveria ser considerado emergencial e não perdurar por tanto tempo. Geraldo foi o segundo candidato ao governo entrevistado pelo Notícia da Manhã.





O sociólogo afirma que defende como programa de governo a reforma agrária como solução para a fome e para a geração de emprego e renda e se disse contra o agronegócio.


Segundo ele, o agronegócio não gera empregos suficientes e ainda manda o capital gerado para fora do Estado. "É preciso desfazer a impressão na região sul do Piauí de que o agronegócio vai gerar empregos. Dos poucos empregos gerados 90% é em regime de semi-escravidão. É preciso incentivar a agricultura familiar. No sul não tem expansão, o que tem é o desmatamento das nossas matas. A Bunge tem lucro de R$ 1 bilhão por ano, mas esse dinheiro não fica no Piauí. É profundo o processo de destruição do cerrado", explica.





Pesquisas


A sua má colocação nas pesquisas eleitorais Geraldo afirma que é por conta da grande exposição na mídia dos demais candidatos. Para ele, os candidatos tradicionais, que estavam ocupando cargos públicos, passaram anos aparecendo na televisão. Ele acredita que se a discussão fosse em torno dos problemas e das necessidades da população ele poderia estar bem colocado.


Leilane Nunes
leilanenunes@cidadeverde.com

PSTU na mídia local
"Não queremos comprar voto como a maioria faz",
diz candidato a Governador do Piauí

O candidato destacou que os recursos financeiros e o espaço na mídia influenciam na opinião do eleitorado.
GERMANA CHAVES DO GP1.COM.BR
Atualizada em 28/07/2010 - 14h22

O candidato a governador do Piauí pelo PSTU, Geraldo Carvalho, em entrevista a uma emissora atribuiu a fraca avaliação de seu nome nas pesquisas de intenção de votos a falta de recurso financeiro e ao pouco espaço na mídia.


Imagem: DivulgaçãoGeraldo Carvalho do PSTU(Imagem:Divulgação)
Geraldo Carvalho do PSTU

“Os candidatos que tem dinheiro para investir estão a cerca de três anos fazendo campanha. Então eu atribuo que o poder da mídia, do dinheiro, o espaço para divulgação das propostas influenciam na opinião dos eleitores. Por isso acredito que com o início da divulgação na mídia contaremos com o apoio da população. Não queremos comprar voto como a maioria faz”, disparou Geraldo Carvalho.

Propostas

Geraldo destacou a reforma agrária, a agricultura familiar, redução da jornada de trabalho, como uma das prioridades de sua campanha.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Portal az

Geraldo Carvalho promete: os bancos precisam ser estatizados.
Clique em cima e veja integra da entrevista de Geraldo Carvalho, candidato pelo PSTU ao governo do Estado do Piauí, no portalaz.com.br

domingo, 25 de julho de 2010

Geraldo Carvalho, candidato ao governo do Piauí pelo PSTU16, concede entrevista ao portal O DIA (www.sistemaodia.com.br) e detalha sua plataforma de campanha. Veja.

"Silvio, Wilson e JVC representam os mesmos interesses"

Foto: Elias Fontinele
Geraldo Carvalho (PSTU)

Sociólogo, professor da Universidade Federal do Piauí, Geraldo Carvalho teve toda sua vida liga ao trabalho público e à militância. Foi professor da rede estadual de ensino e presidiu o Sindicato dos Bancários do Piauí. Essa sua ligação com os movimentos sociais está diretamente ligada ao seu posicionamento político que defende há vários anos como líder do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

Geraldo Carvalho, candidato ao Governo do Estado, diz que o capitalismo dominante no mundo hoje gerou riquezas, mas não distribui para a população. Pior: não consegue resolver, na sua opinião, os problemas da fome, da pobreza e vida digna para o povo.

“Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome hoje. O capitalismo não resolve isso”, critica o candidato. Para ele, o socialismo é a melhor forma de administrar as riquezas produzidas pelo homem. Sobre as eleições de 2010, Carvalho ressalta que os três candidatos ao Governo do Estado que mais estão à frente das pesquisas (Silvio Mendes, Wilson Martins e João Vicente Claudino) representam os mesmos interesses de classes. “E qualquer um dos três que ganhar, não tenha dúvidas que o programa será o mesmo. A prioridade será produzir a monocultura para exportação, pagar juros e serviços de uma dívida que já foi paga, que não existe mais e isso é apenas um mecanismo de manutenção da dependência do país, do Estado aos interesses do imperialismo”, critica.

Confira a entrevista com Geraldo Carvalho, como parte da série que o Sistema O DIA vem fazendo com os candidatos a governador e a senador.

O PSTU tem 30 anos de história e, durante esse tempo as bandeiras do partido continuam praticamente as mesmas. Os problemas do país não mudaram ou o partido não se atualizou?
Na verdade, o PSTU está completando 16 anos, agora em agosto, quando o partido foi institucionalizado. Antes disso, éramos uma corrente organizada dentro do Partido dos Trabalhadores. Mas o partido, exatamente, atuando como pessoa jurídica, vem de 1994.

Em relação às bandeiras, os problemas do país não mudaram ou o partido não se atualizou?
Essa é uma questão interessante. Como somos uma organização que defende o socialismo e o classismo, as pessoas sempre estranham, mas não está fora de uso. O fracasso das experiências socialistas, na União Soviética, Cuba, China e outras, respondemos sempre da seguinte forma: o velho é o capitalismo. O capitalismo tem 600 anos. A primeira experiência socialista tem 90 anos, que é a experiência da União Soviética. Portanto, é uma experiência muito recente. No capitalismo, nós reconhecemos a importância desse movimento. Reconhecemos as vantagens que esse movimento trouxe em relação à idade média, em relação à antiguidade. Mas o capitalismo hoje, se formos contabilizar seus benefícios para a humanidade, vamos verificar que estamos retrocedendo. O capitalismo não cumpriu com suas promessas básicas. A Revolução Francesa, que foi, digamos assim, a luta final da burguesia contra a nobreza, se formos ver as promessas da burguesia, a questão da saúde, da educação, ou seja, as promessas básicas não foram cumpridas. Nesses 600 anos de capitalismo, o que agente constata é isso: o capitalismo não cumpriu com suas promessas de solucionar problemas elementares da humanidade. Problema da fome, da inclusão, do acesso da humanidade aos bens produzidos pela própria humanidade. Por isso, nesse sentido, o socialismo é novo, porque hoje o capitalismo está em um processo bem avançado de destruição da natureza, da renda humana, e temos mais de 1 bilhão de pessoas que passam fome.

O senhor fala em capitalismo e socialismo. Como seria implantado o socialismo aqui em nosso Estado? Teria como implantá-lo, já que o capitalismo já está enraizado?
São medidas simples. Não temos a ilusão de que o socialismo pode ser implantado em um único Estado, em uma única nação e nem em um único país. O nosso debate é teórico, como o stalinismo do século passado. Foi justamente o Estado que defendia a tese do socialismo, e nós defendíamos a tese da revolução permanente, a necessidade de que o socialismo tinha que ser implementado no mundo inteiro. Dos anos 90 para cá o que nós temos visto no país sem tido uma política do focalismo. O desmonte do Estado, onde transformaram o Estado em uma máquina a serviço do capital e retirar do Estado as políticas públicas universais e deixar as políticas focalistas. Essas políticas não respondem às necessidades da população. Então nós vamos convergir em políticas públicas universais, de saúde, com a ampliação de postos de saúde, hospitais, contratação de pessoal, laboratórios, um sistema de saúde que possa atender as necessidades da população. Até a proposta do SUS. O SUS não fomos nós que criamos, não foram os socialistas. Todos sabem que o SUS não é cumprido, não atende a sua proposta inicial.

Qual seria a proposta do PSTU para essa distribuição de renda?
Reforma Agrária. Quando se fala da questão da geração de emprego, tem um modelo tradicional que é de atrair as empresas para os Estados. Isso virou uma guerra enorme entre empresas e Estados, com a guerra fiscal. Tem muita gente que se elegeu com esse discurso de atrair empresas para o Estado e isso não resolveu. Agora, mudaram a fórmula, o discurso. Estão adotando o discurso de expansão do agronegócio, através da produção de soja, cana-de-açúcar e do eucalipto. Essa política não vai resolver nosso problema. Ela vai criar mais problemas. Vejam: o perfil dos plantadores de soja no Piauí, 84% são pessoas que tem experiências em outros Estados, em outras regiões, saíram de lá porque as terras já não produzem mais, os bancos já não financiam mais porque já estão endividados. Então, essas pessoas vêm pra cá. Não gera emprego, porque as pesquisas mostram também. Tem uma pesquisa recente de geração de empregos nos cerrados, onde mais de 90% dos empregos gerados são empregos semi-escravos. Só 7% é emprego permanente. É uma atividade altamente mecanizada, portanto não gera emprego e a riqueza produzida não fica no nosso Estado, nem no país, vai para o exterior, porque a produção de monocultura tem esse destino, é o mercado externo.

Além dessas medidas que o senhor falou, há outras medidas no programa do PSTU como reutilização de salários, a reestatização de empresas privatizadas, e congelamento dos preços. Essas propostas são viáveis no contexto atual?
São necessárias. É claro que vamos ter dificuldade em implementá-las, mas é preciso que se faça um debate com a população, sobre o que é necessário fazer para resolver os problemas de fato, os problemas reais da população. A questão da redução da jornada de trabalho, isso é algo que a Europa já está fazendo. Por quê? O que foi que aconteceu? Com a tecnologia, nós temos emprego estrutural enorme. Isso significa que tem menos postos de trabalho porque as máquinas ocuparam boa parte dos postos de trabalho. Então, se tem menos postos de trabalho é preciso reduzir a quantidade de trabalho de cada pessoa. Cada pessoa trabalha menos para poder mais pessoas trabalharem. A Europa está fazendo isso. É essa a lógica da redução da carga horária de trabalho, sem redução de salário. Mas a lógica hoje está exatamente o contrário. Aumentou a jornada de trabalho das pessoas. Hoje, as pessoas trabalham 7, 8, 10 horas de trabalho por dia em um ritmo de trabalho mais acelerado. É preciso reduzir para que sobre mais trabalho para mais gente. Além da estatização, o controle. Não podemos deixar a população à mercê de um cárcere. O sistema financeiro, não só do Brasil, mas do mundo, nesse período de movimentação da economia, gerou uma especulação. Você observa a quantidade de financeiras, a quantidade de banco que abriu. Isso é especulação. Então, se você coloca a nação, o país, o Estado, à mercê, e subordina todo o resto, a vida das pessoas a essa lógica da especulação isso é terrível. Então, é preciso que o Estado tenha controle do sistema financeiro. E, nesse sentido, nós defendemos a estatização do sistema inanceiro, a reestatização das empresas privatizadas como o setor de energia, telefonia. Precisamos reestatizar isso para que o país possa se desenvolver, com autonomia, soberania, independência e se desenvolver não só do ponto de vista do lucro, mas do ponto de vista do social, das pessoas. É preciso se combinar esse desenvolvimento da riqueza com o desenvolvimento das pessoas, de forma mais igual.

O senhor criticou a política adotada pelos outros governantes de atrair grandes empresas. A guerra fiscal acabou sendo a forma encontrada pelos Estados para atrair as grandes empresas. Que alternativas o senhor vê para evitar essas isenções fiscais e ainda assim promover o desenvolvimento?
Nós precisamos compreender que a lógica de uma empresa quando vem pra cá, não é pensando no desenvolvimento social do Estado, não está pensando no desenvolvimento das pessoas do Estado. Está pensando na questão do lucro, se vai ter ou não. Então, mesmo na lógica do lucro, se ela vem pra cá, ela vai fazer um estudo de mercado e verificar se tem a possibilidade de ter lucro e definir se vem ou não. O que não pode é o Estado prescindir de suas receitas, dos impostos porque é beneficiar a empresa duas vezes.

Mas não se pode negar que geram emprego. Qual seria a alternativa então?
Eu já falei de uma medida que é a reforma política, que seria a principal. Em vez de se entrar na guerra fiscal, da expansão do agronegócio. Se não vamos tomar esse caminho, o nosso é fazer a reforma agrária e investir na agricultura familiar. Nós vamos produzir, em primeiro lugar, e isso gera emprego, produzir aquilo que a população precisa para se alimentar, arroz, feijão, verduras, frutas. Precisamos investir em infraestrutura? Precisamos! Precisamos melhorar as estradas? Precisamos! Mas isso não pode estar simplesmente vinculado ao desejo de uma ou outra empresa que venha a se instalar aqui. Tem que se conciliar os interesses da população, sobretudo da população trabalhadora que é quem mais precisa do Estado. Não venha me dizer que uma empresa, um banco precisa mais do Estado do que as pessoas que passam fome e as que não têm assistência a saúde, não tem escola...

O senhor e seu partido defendem a divisão da renda e uma política socialista que seria em contraponto ao capitalismo. Como é que há o diálogo do PSTU e suas propostas junto ao empresariado local e como o senhor faria uma proposta para o setor privado?
As empresas precisam compreender. Elas mesmas defendem, pregam a liberdade. A não intervenção do Estado na questão econômica. Então, como elas defendem isso e ao mesmo tempo querem subsídios, querem os recursos do Estado ao seu dispor? Querem a ajuda do Estado, querem crédito subsidiado, isenção fiscal? Os recursos do Estado são arrecadados pela população, e deve estar a serviço de política pública universais, como moradia, educação, saúde, segurança. É o direito. Então essas são as finalidades do Estado. O Estado não pode deixar de investir na escola pública, para favorecer a escola privada. Aí você vê o cenário: as escolas públicas com os índices, que o próprio Governo está mostrando, no caso do Piauí, o pior índice e você tem na outra ponta, as melhores escolas privadas. O Piauí tem três das melhores escolas particulares. É um exemplo concreto do que acontece quando o Estado deixa de investir na escola pública. Tem que fazer com que a escola pública funcione, tenha profissionais preparados, qualificados, que tenha recursos para laboratórios, didáticos, que possam atender a demanda com vagas suficientes para atender quem precisa. Então, quando o Estado deixa de investir na escola pública, as pessoas se sentem obrigadas a ir para a escola privada. Por que a pessoa não sai preparada para ocupar um espaço no mercado de trabalho. Na saúde, a situação é a mesma. Quando se vai em um hospital, da rede municipal ou estadual, não se consegue um atendimento, não tem médico, não tem material, não consegue consulta. Se vai pro privado, se tem dinheiro você é atendido. É o que eu critico, a política neoliberal do Estado de se dar o mínimo para as políticas públicas e o máximo para o capital. Abandona para obrigar as pessoas a se endividarem pagando planos de saúde, escolas privadas...

O PSTU sempre busca candidatura própria nas últimas eleições. Se o objetivo é a exposição das ideias, não seria mais estratégico, do ponto de vista político, buscar uma coligação entre os partidos pequenos que permitisse maior inserção no horário eleitoral?
É um mito isso. Como disse no começo, nós éramos um segmento do Partido dos Trabalhadores, quando o PT era realmente dos trabalhadores. Quando eles deixaram de ser da classe trabalhadora, nós saímos do PT e fundamos o nosso partido. Depois outros grupos, outras correntes saíram também do PT e fundaram outros partidos, o PSOL, por exemplo. E nós fizemos unidade em 2006: PCB, PSOL e PSTU, tanto para presidente quanto para governador. Fizemos também em 2008. Mas neste ano, não deu. Tivemos problemas circunstanciais, não houve acordo entre os partidos em determinados pontos, mas isso também não é problema. Tivemos realmente uma fragmentação da esquerda, não temos nenhuma vergonha de reconhecer isso publicamente. E a nossa tarefa é reorganizar, rearticular e da forma a esquerda e a classe trabalhadora porque é assim que nós vamos garantir vitórias. Na década de 80, com a criação da CUT, tivemos muitas vitórias e fomos perdendo e o PT acabou de entregar o restante dessas vitórias. Então, nós vamos recomeçar, reorganizar a esquerda socialista do Piauí e do Brasil.

Mudando esse posicionamento que o PT tinha, ele conseguiu chegar ao poder. Como o senhor interpreta essa postura do partido em relação ao quadro que ele se encontra hoje, totalmente diverso do que era antes?
Pois é, ele se rendeu. Lamentavelmente ele trocou as bandeiras da classe trabalhadora, o programa da classe trabalhadora, o objetivo estratégico da classe trabalhadora e da construção do socialismo, eles trocaram por um cargo de governador, de presidente, de deputado, de senador. Lamentavelmente trocaram.

O senhor já se candidatou em outros pleitos e sempre se deparou com essa polarização de partidos mais fortes. Como o senhor vê isso? É prejudicial?
É prejudicial e intencional. Na verdade, é um jogo que se tenta fazer no sentido de esconder as candidaturas críticas do sistema. E tentam polarizar para que o resultado das eleições fique sempre nas mesmas mãos. Se você pegar aqui no Piauí, o Silvio Mendes, Wilson Martins e o João Vicente, todos representam os mesmos interesses de classes. Eles não declaram isso. Muito pelo contrário. Nas suas campanhas, nas suas propagandas eles fazem um discurso para a classe trabalhadora, dizendo que vai resolver os seus problemas, que até desaparecem durante as campanhas eleitorais. Eles fazem até um discurso no sentido de encobrir as críticas que outros setores fazem a essa sociedade. E qualquer um dos três que ganhar, não tenha dúvidas que o programa será o mesmo. A prioridade será produzir a monocultura para exportação, pagar juros e serviços de uma dívida que já foi paga, que não existe mais e isso é apenas um mecanismo de manutenção da dependência do país, do Estado aos interesses do imperialismo. Vão continuar defendendo a expansão do agronegócio. Vão continuar defendendo não recursos para a Uespi, que é um caso gritante no Estado. A nossa constituição estabelece que o governo deve investir, no mínimo, 30% da corrente líquida na educação. Primeiro: o Estado não cumpre isso. Investe 25% ou menos. Segundo: a Uespi vive como um escolão, que não tem autonomia financeira, que vive das emendas parlamentares de um e outro. O servidor da instituição é o único segmento do funcionalismo público que não tem planos de carreira e as condições de ensino, extensão e pesquisa não existem. 60% do quadro de professores é substituto. A manutenção dessa política será feita por qualquer um dos três. Nenhum diz de onde vão tirar os recursos para melhorar a saúde pública, a moradia. Ficam todos dependendo do Governo Federal porque a maior parte dos recursos estaduais é para o funcionamento da máquina, muito ineficiente e a outra parte para pagar a dívida e a especulação financeira.

Autor/Fonte: Elizângela Carvalho/Nildene Mineiro/Cícero Portela | Edição: Tamires Coelho