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sexta-feira, 8 de março de 2013

Enquanto a agressão contra mulheres cresce, governos cortam verbas de programas contra a violência e atacam direitos


O aumento dos casos de violência contra a mulher é assustador em todo o país, apesar da Lei Maria da Penha. Em vigor desde o ano 2006, a Lei acaba não sendo devidamente aplicada devido aos pouquíssimos recursos públicos destinados pelos governos para ações de combate à violência contra a mulher, assim como falta de políticas públicas para atendimento às mulheres que são vitimadas, bem como falta punição aos agressores.

Na propaganda, tanto os governos Dilma (PT), Wilson Martins (PSB) e Firmino (PSDB) afirmam valorizar a mulher. Mas na prática, a realidade é outra. Além de destinarem poucos recursos no orçamento para políticas públicas destinadas às mulheres, muitas vezes o dinheiro acaba sendo desviado para outras áreas de maior interesse do governo: obras de infraestrutura para beneficiamento de grandes empresas e agronegócio, além de pagamento dos encargos e juros da dívida pública. 

No Piauí, por exemplo, o governo Wilson acaba de cortar R$ 1,3 milhão de programas de “prevenção e combate à violência contra a mulher e grupos minoritários”, de acordo com o decreto n° 15.094 de 25 de fevereiro de 2013, publicado no Diário Oficial do Estado do mesmo dia. É um corte na ordem de 25% do pouco que estava previsto para essa ação governamental no Lei Orçamentária Anual de 2013.
O recente assassinato da ativista Iones Sousa, da União de Mulheres do Piauí (UMP), é apenas um exemplo da violência contra a mulher, face mais brutal do machismo, ideologia utilizada pelo sistema capitalista para manter a dominação e ampliar a exploração. O dinheiro, que deveria ser usado para evitar o aumento de novas vítimas como Iones, vai para obras ligadas à Secretaria de Infraestrutura e outros órgãos, beneficiando empreiteiras, segundo o decreto 15.094/2013.
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) repudia o corte no orçamento das verbas que seriam destinadas a ações de combate à violência contra a mulher, ao mesmo tempo em que exige do governo Wilson não só a anulação do decreto n° 15.094/2013, mas também garantia de mais recursos públicos para a área. O PSTU também exige investigação séria e punição exemplar para os agressores de mulheres.

Retirar direitos também é outra forma de violência
O Dia 8 de Março é uma data histórica, de luta das mulheres trabalhadoras. Nesse ano, em todo o Brasil, as mulheres vão às ruas contra a violência, pela aplicação integral da Lei Maria da Penha, que está ameaçada pela proposta de reforma do Código Penal que tramita no Congresso Nacional. De acordo com a proposta, mesmo o crime de agressão física sofrido em ambiente doméstico pode ter pena de prisão substituído por penas alternativas (serviços comunitários e distribuição de cestas de alimentos).
Outra ameaça a direitos é a projeto que cria o Acordo Coletivo Especial (ACE), feito em parceria pelo governo Dilma (PT) e o governista Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à CUT). Caso seja aprovado pelo Congresso, o ACE atacará conquistas da classe trabalhadora, de conjunto, flexibilizando direitos como férias, 13°, licença-maternidade, etc. Ou seja, as mulheres, que já são tratadas desigualmente, com menores salários, serão as mais afetadas se essa proposta for aprovada.
É preciso unificar as lutas de homens e mulheres trabalhadores/as em todo o país contra a retirada de direitos. Por isso a importância da Marcha à Brasília que será realizada no dia 24 de abril, convocada por diversas entidades, dentre elas a Central Sindical e Popular – CSP Conlutas e o Movimento Mulheres em Luta (MML).

quarta-feira, 6 de março de 2013

PSTU/PI lança hoje a cartilha "Luta Mulher"



A Secretaria de Mulheres do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) no Piauí lança hoje, às 18h30, a cartilha 'Luta Mulher'. O lançamento será na sede do partido (Rua Desembargador Freitas, 1849, na altura da rua Area Leão, Centro/norte de Teresina). Esta cartilha resume os principais pontos do programa do partido sobre a questão da mulher, trazendo os seguintes temas: o que é o machismo e sua relação com o capitalismo; mulher e trabalho; sexualidade e conhecimento da mulher sobre seu próprio corpo; aborto, a violência contra a mulher e outras questões.

Na cartilha é possível encontrar um resgate do surgimento do machismo e da opressão vivida pela mulher no capitalismo. Também explica a diferença das mulheres trabalhadoras para as mulheres burguesas, além de apontar uma alternativa para organização das mulheres trabalhadoras em busca da emancipação humana, através do socialismo.

O lançamento da cartilha acontece em um momento em que o governo Dilma (PT) prepara um projeto de lei que, se aprovado no Congresso, criará o Acordo Coletivo Especial (ACE), que flexibilizará direitos, dentre eles o de licença-maternidade, férias, dentre outros. "A cartilha mostra a relação entre a opressão da mulher e a exploração capitalista. Se o ACE for aprovado, prejudicará a classe trabalhadora, de conjunto. O ACE também servirá para aumentar a exploração e a desigualdade entre os sexos em termos salariais e direitos sociais. As mulheres já são hoje uma das maiores vítimas da flexibilização da jornada, dos piores trabalhos e salários e do mercado informal", afirma Letícia Campos, da Secretaria de Mulheres do PSTU-PI.